Cyberbullying - das telas para a vida

12.09.2019

 

Com a tecnologia, tudo ficou mais prático, inclusive o envio de fotos. Não é mesmo?! As pessoas adoram tirar fotos de lugares, selfies, etc, e compartilhar. Por outro lado, também existem aquelas que gostam de registrar o momento constrangedor de outra pessoa e, sem perceber, começa a denegrir a imagem alheia. Então você recebe essa foto e, sem pensar, já está fazendo o mesmo, ou seja, compartilhando.


Alguém faz piadas com um amigo no Facebook, de momento você não vê problema em curtir, comentar e repercutir. Pois, como os jovens costumam dizer: “A zoeira não tem limites”. Mas infelizmente, por trás dessas brincadeiras, aparentemente inocentes, pode haver um comportamento social cruel. E no caso das agressões envolverem crianças e jovens, o problema aumenta, podendo trazer consequências irreversíveis para o seu desenvolvimento e, em casos extremos, podendo levar ao suicídio.




Por que bullying e o cyberbullying acontecem?

 


Segundo os estudiosos, eles associam o problema ao baixo repertório de habilidades sociais. O que isso quer dizer? Trata-se de boa e velha empatia, que anda em falta, principalmente entre crianças e jovens, por conta da sua imaturidade emocional.


Segundo Angela Marin, professora de pós-graduação de Psicologia da Unisinos, espera-se que crianças e adolescentes se tornem mais maduros emocionalmente e consigam lidar melhor com seus sentimentos à medida que se desenvolvem. “Isso possibilita que direcionem seu foco para outras atividades, dentro e fora da escola”, explica.


Na era da internet, a falta dessa empatia tende a gerar agressões ainda mais fortes. Pois, a rede oferece agilidade e um maior alcance para difamar qualquer pessoa. E pelo fato do agressor acreditar que por estar de atrás de uma tela, não será descoberto, ele sente-se mais ousado e impiedoso.


O Bullying que tem sido associado à depressão e a baixa autoestima, bem como os problemas na vida adulta relacionados a comportamentos antissociais, instabilidade no trabalho e relacionamentos afetivos pouco duradouros”, observa a pesquisadora.


Além disso, quando a criança já apresenta algum problema emocional na infância, ao sofrer bullying, pode agravar e até mesmo desencadear novos problemas, como, transtornos psicológicos e dificuldades nos aprendizados. “Há uma associação entre quadros graves de depressão e bullying que pode levar as vítimas a cometer suicídio”, alerta a professora da pós-graduação em Psicologia da Unisinos, Angela Marin.


Segundo a pesquisa da Ipsos sobre o cyberbullying, o Brasil tem o segundo maior índice de pais e mães que dizem que seus filhos já foram vítimas de bullying na internet. Um fator muito preocupante já que a porcentagem brasileira subiu consideravelmente em relação ao último levantamento, realizado em 2016. Um dado muito triste e alarmante.

 



Punir é possível

 


Uma grande dificuldade para a vítima do cyberbullying é reconhecer o seu agressor, isso porque, a maioria se esconde por de trás de perfis falsos e contas fictícias de e-mail criadas apenas para difamar, ridicularizar e humilhar seus alvos. Uma maneira bem covarde. Mas com os avanços tecnológicos, surgem também, novas medidas de proteção às vítimas, ajudando a diminuir a impunidade.

É possível mapear as comunicações virtuais, mediante autorização judicial. “Isso ocorre muito em casos de ofensas pelas redes sociais”, exemplifica a delegada e professora de Direito da Unisinos, Elisangela Reghelin. “Os vestígios do crime permanecem, mesmo que apagado o perfil”, garante.


Ela ressalta a importância de denunciar o cyberbullying para que o agressor seja punido. “É necessário que a vítima procure a Delegacia de Polícia mais próxima e faça o registro. O registro dos casos de crimes pela internet em cartório é um importante mecanismo de prova. A vítima poderá tomar tais medidas a qualquer tempo, ainda que nem saiba a autoria das agressões”, acrescenta Elisangela.


Dependendo do grau do delito praticado na internet, a legislação brasileira prevê uma pena de até 2 anos de detenção. Já os crimes menos graves, como invasão de dispositivos, podem ser punidos com prisão de 3 meses a 1 ano, além de multa. As condutas mais danosas, como obter, pela invasão, informações sigilosas, privadas, comerciais ou industriais, podem ter pena de 6 meses a 2 anos de prisão, além de multa. O mesmo ocorre se o delito envolver a divulgação, comercialização ou transmissão a terceiros, por meio de venda ou repasse gratuito, do material obtido com a invasão.

 



O que pode ser feito para solucionar os problemas?



Colocar-se no lugar do outro e entender as consequências do Cyberbullying pode ser um bom começo para acabar com o problema. A família e a escola têm um papel fundamental nisso. “É importante que pais e professores entendam o que caracteriza o bullying e estejam atentos às relações que são estabelecidas pelos seus filhos e alunos”, afirma Angela.

Além do diálogo, é importante que as instituições invistam em Segurança da Informação e mantenham suas ferramentas sempre atualizadas. “Da mesma forma que os meios para o cyberbullying se alteram, os mecanismos de Segurança da Informação utilizados também precisam se adaptar”, alerta Jéferson Nobre.


“Assim, as instituições devem estar atentas para novos meios disponíveis e suas ameaças intrínsecas, assim como para os mecanismos de segurança a serem implementados, como monitoramento das redes e um regimento interno que deixe claro que o cyberbullying não será tolerado naquela instituição”, complementa o professor do curso de Segurança da Informação da Unisinos.


É importante que as pessoas entendam que todos têm responsabilidade pelo bullying e cyberbullying. No momento em que julgamos o outro, expomos nossas opiniões de forma pejorativa, desrespeitamos o jeito de ser das outras pessoas. Por isso, precisamos mudar as nossas atitudes para que o problema seja solucionado. Sejamos parte dessa mudança.

 



Fonte: Globo.com (Galileu) 
Fonte: Globo.com (Negócio) 

 

 

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